A Febre do Mayaro é uma doença infecciosa febril aguda causada por um arbovírus (mosquitos), assim como Dengue, Zika e Chikungunya. Normalmente, após uma ou duas semanas, o paciente se recupera completamente da febre do Mayaro. O vírus Mayaro (MAYV) é um arbovírus da família Togaviridae, gênero Alphavirus, cujo vetor principal é o mosquito Haemagogus, que vive em hábitats mais silvestres, como as florestas ou matas fechadas.

Essa espécie de mosquito costuma ficar na copa das árvores e picar macacos e pássaros, que são os hospedeiros primários da doença nesse ecossistema. No entanto, quando alguma pessoa entra na mata, principalmente entre 9h e 16h, horário em que o mosquito está mais ativo, ela também pode ser picada e contrair a doença.

Apesar do nome meio esquisito, a Febre do Mayaro não é contagiosa, portanto, não há transmissão de pessoa a pessoa ou de animais a pessoas. Ela é transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus Mayaro.

O vírus da Febre do Mayaro é transmitido por meio da picada de mosquitos silvestres, principalmente os Haemagogus janthinomys, que vivem em matas e vegetações à beira dos rios, onde há presença de macacos. Quando o mosquito pica um macaco doente, este primata adquire o vírus e, depois de um ciclo em seu organismo, torna-se capaz de transmitir o vírus a outros macacos e ao ser humano.

Após a picada do mosquito infectado, os sintomas iniciam geralmente de 1 a 3 dias após a infecção. Esse tempo pode variar de pessoa a pessoa, dependendo da imunidade individual, quantidade de partículas virais inoculadas e cepa viral, dentre outros fatores.

As manifestações clínicas da febre do Mayaro, ou seja, os sintomas da doença, são semelhantes às de infecções por outros arbovírus: iniciam-se com quadro febril agudo inespecífico, semelhante à dengue; cefaleia (dor de cabeça); mialgia (dor muscular); dor  e inchaço nas articulações e manchas no corpo.

No entanto, na maioria dos casos a doença é autolimitada, com o desaparecimento natural dos sintomas em uma semana. Em alguns casos, o vírus da Febre do Mayaro pode provocar o desenvolvimento de complicações neurológicas, como encefalites, Síndrome de Guillain Barré e outras doenças neurológicas.

Parte dos pacientes infectados pelo vírus da Febre do Mayaro pode apresentar dor intensa nas articulações, acompanhada ou não de inchaço nas articulações. A lesão pode ser limitante ou incapacitante e durar por meses.

O diagnóstico da Febre do Mayaro é feito, primeiramente, na avaliação clínica do paciente, com base nos sintomas, e no histórico de onde esteve e o que fez nos últimos 15 dias. Depois disso, o médico pode pedir exames específicos para identificar o vírus e fechar o diagnóstico, tendo em vista que os sinais são muito parecidos com os de outras arboviroses, como Chikungunya. Os principais exames para fechar o diagnóstico da Febre do Mayaro são: exame de sangue; isolamento do vírus; hemaglutinação; soroneutralização; imunoflorescência e testes moleculares.

Não há tratamento específico contra a Febre do Mayaro. O médico deve tratar os sintomas, como dores no corpo e cabeça, com analgésicos e antitérmicos. Medicamentos salicilatos devem ser evitados (AAS e Aspirina), já que o uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.

O médico deve estar alerta para quaisquer indicações de um agravamento do quadro clínico. Os pacientes devem permanecer em repouso e em tratamento sintomático, com analgésicos e/ou drogas anti-inflamatórias – que podem proporcionar alívio da dor e febre. Repouso e consumo de bastante água também são fundamentais durante a recuperação.

Considerando que atualmente não existem vacinas disponíveis no mercado, a única forma de minimizar o risco da Febre de Mayaro é evitar exposição com corpo desprotegido em locais de mata e beira de rios, principalmente nos horários de maior atividade do vetor (entre 9 e 16 horas).

Também é indicado utilizar roupas compridas, que minimizem a exposição aos vetores silvestres, preferencialmente acompanhado do uso de repelentes. Cuidado adicional deve ser tomado nas áreas com ocorrência recente de transmissão do vírus Mayaro. Além disso, o vírus Mayaro é considerado endêmico na região Amazônica, que envolve os estados da região Norte e Centro Oeste. O vírus ocorre em área de mata, rural ou silvestre e geralmente afeta indivíduos susceptíveis que adentram espaços onde macacos e vetores silvestres ocorrem.

Assim, recomenda-se evitar exposição em áreas de mata sobretudo desprotegido, durante o período de maior atividade do mosquito transmissor da doença; uso de roupas compridas e repelentes que podem ajudar a evitar contato com o vetor silvestre e diminuir o risco de infecção; uso de cortinas e mosquiteiros, principalmente em área rural e silvestre; evitar exposição em área afetada.

Considerado que o horário de maior atividade do principal vetor (Haemagogus Jantinomys) se dá entre 9 e 16 horas, recomenda-se evitar exposição em áreas de mata sobretudo desprotegido, durante esse período.

Além disso, o uso de roupas compridas e uso de repelentes podem ajudar para evitar o contato com o vetor silvestre e diminuir o risco de infecção por Febre do Mayaro.