Funciona assim: os neurônios liberam a dopamina, hormônio que provoca euforia, aumenta o sentimento de felicidade e ativa o sistema límbico. O cérebro recebe mais sangue e melhora suas atividades, com reflexos em todo o corpo. Você sente mais vontade de fazer exercícios físicos e de se cuidar, o que diminui o risco de problemas cardiovasculares.

O cérebro, então, envia uma mensagem para a glândula adrenal (localizada nos rins), que começa a bombear adrenalina, epinefrina e norepinefrina na sua corrente sanguínea. É aí que começa aquela sensação de borboletas no estômago. Os batimentos cardíacos aumentam e você começa a ficar excitado sexualmente. Em seguida vem a endorfina, que aciona e estimula o circuito neuronal do prazer, estimulando o corpo como um todo. A pele fica mais bonita, você se sente mais motivado.

Entra em cena a serotonina regulando o bom humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, a sensibilidade à dor e as funções intelectuais. As amígdalas passam a funcionar mal, o que pode atrapalhar o bom senso, a tomada de decisões sábias e o reconhecimento de situações de risco. Também vem a endorfina, o cortisol, a testosterona e os estrógenos, elementos ligados à sensação de felicidade e ao desejo sexual. Em outras palavras: você está apaixonado(a)!

Há cinco anos, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Católica de Brasília constatou que homens casados acima dos 60 anos são mais felizes e têm 61% menos risco de morrer do que os solteiros. Já as mulheres viúvas possuem uma probabilidade 82% maior de morrer e as solteiras 35%, quando comparadas com as casadas ou em relacionamento estável.

Seguindo a mesma linha, pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, defendem que pessoas com vida sexual ativa têm um desempenho melhor no trabalho. Quando o sexo é feito na noite anterior, as pessoas ficavam mais bem humorados, concentradas e satisfeitas no expediente da manhã seguinte.

Um terceiro estudo, este publicado no periódico Archives of Sexual Behavior, aponta que casais que ficam abraçados após o sexo e dormem de conchinha são mais satisfeitos com suas vidas sexuais e em seus relacionamentos como um todo. E mesmo quando não há sexo envolvido, o afeto entre parentes e amigos também faz bem à saúde, pois existe troca de amor e sensação de preenchimento. Em qualquer um dos casos, amar faz bem à saúde. Sempre!

Características de uma pessoa apaixonada:

  • São mais dispostas a praticar atividades físicas, evitando o risco de doenças cardiovasculares;
  • Fazem dieta com maior facilidade;
  • Cuidam mais da saúde, indo ao médico regularmente;
  • Cuidam do corpo e do espírito;
  • Estão mais dispostas para se divertir, passear e namorar.

 

Mudanças que o amor pode provocar:

Ajuda a controlar a sua pressão – enquanto analisavam a relação entre casamento, saúde física e longevidade, pesquisadores do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos observaram que pessoas casadas têm menos riscos de desenvolver doenças cardiovasculares e apresentam pressão arterial mais baixa. Entre 3,5 milhões de voluntários solteiros, casados e viúvos, aqueles que tinham menos de 50 anos e um cônjuge apresentavam 12% menos riscos de ter uma doença vascular. Entre casais de 51 a 60 anos e em comparação aos colegas que não tinham um parceiro, a porcentagem era de 7%.

Diminui o estresse (dependendo do estágio da relação) – começar um relacionamento pode ser realmente estressante, apontam alguns estudos. De acordo com uma pesquisa italiana publicada em 2004, os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, aumentam durante os primeiros estágios de um relacionamento. Mas não se preocupe, isso é passageiro. Quando os participantes foram testados 12 e 24 meses depois da primeira análise, o nível de cortisol deles já tinha voltado ao normal.

As borboletas no estômago – nos primeiros estágios de um relacionamento, também é comum que ficar ansioso ou nervoso antes de encontrar o crush. As famigeradas borboletas no estômago são provocadas pelo aumento nos níveis de cortisol, algo semelhante à “reação de lutar ou fugir”, que ocorre quando nos sentimos ameaçados. O sistema límbico ou emocional ativa o nervo vago, que vai do seu cérebro até a barriga. Quando você fica nervoso ou se empolga, este nervo é estimulado e ativa a barriga.

Você se sente seguro – segundo uma pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, a ocitocina — conhecida como o hormônio do amor e liberada com o contato físico de um abraço, beijo ou durante o sexo — intensifica a ligação com o seu parceiro ou parceira e provoca sensações de calma, alegria e segurança. Outro estudo, publicado na Nature, mostrou que a ocitocina aumenta a confiança entre os seres humanos e está presente não só em relacionamentos amorosos, como também no instinto materno e em laços sociais.

Você fica mais feliz – além da ocitocina, a dopamina, o neurotransmissor do prazer, também está bastante presente no corpinho de quem está apaixonado. Em 2005, pesquisadores analisaram 2,5 mil imagens dos cérebros de 17 pessoas que diziam estar a fim de alguém. Quando elas olhavam para a foto do amado ou amada, duas regiões cerebrais relacionadas à dopamina eram ativadas: o núcleo caudado e a área tegmental ventral.

Você pode ficar viciado – a paixão pode ser viciante no sentido de que ela pode ser temporariamente satisfeita. Caso você não a satisfaça por um longo período, ela pode te distrair. Além disso, a dopamina liberada no núcleo accumbens durante uma relação sexual, por exemplo, é a mesma liberada com o consumo de algumas drogas.

Fonte de pesquisa: Revista Galileu + Instituto de Longevidade